CPMF, Cultura e Jucá: início de Temer é ruim

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Pouco mais de 10 dias depois de assumir interinamente a presidência e Temer já teve que enfrentar 3 momentos turbulentos: uma possível volta da CPMF, o vai e vem do Ministério da Cultura e o grampo do ministro do Planejamento Romero Jucá. Nem os mais pessimistas poderiam imaginar que o novo presidente teria que enfrentar 3 bombas poucos dias depois de assumir. Ainda que seja um governo recente, vale a pena acender o sinal amarelo.

Poucos dias após o impeachment, o novo ministro da Fazenda Henrique Meirelles declarou que não descartava a volta da CPMF. A mesma CPMF que o PT tentou ressurgir nos últimos tempos. Mudam-se os atores, mas o enredo continua semelhante. A FIESP logo tratou de dizer que não apoiaria a volta do imposto. Pudera, recriar a CPMF já seria uma atitude lastimável, recriar nesse momento seria trágico. Obviamente a população não apoiaria a medida, e o novo governo que tem pouco apelo popular, já sofreria uma enorme pressão. A impressão que deu é que o novo ministro da Fazenda esteve completamente alheio aos últimos acontecimentos políticos do país. No entanto, o novo governo tratou logo e abafar a situação. Aparentemente a CPMF foi descartada, pelo menos por enquanto.

Logo em seguida, outra atrapalhada do governo: o vai e vem do ministério da Cultura. Primeiro ele seria extinto, depois Temer voltou atrás. Para alguns esse recuo foi estratégio para abafar os protestos contra o fim do ministério. Mas na verdade mostrou que Temer não teve pulso firme para lidar com uma situação simples. Para a esmagadora maioria da população, o fim do ministério era irrelevante. Ainda assim Temer resolveu ceder a classe artística. Deveria ter mantido a decisão inicial de acabar com tamanha inutilidade que é o Ministério da Cultura. Não teve coragem. Amarelou.

Já nessa semana, nova bomba. Em um grampo envolvendo Romero Jucá e o ministro dos Transportes Sérgio Machado, Jucá deixa claro a intenção de “melar” a Operação Lava-Jato. Não bastasse, ainda coloca na roda Aécio Neves, dando a entender que este esteve envolvido em algum esquema ainda não descoberto. Mais uma vez, mudam-se os atores, mas a história permanece semelhante. Se Temer não retirar Jucá do governo, pode ser o início de uma derrocada, antes de completar 1 mês de governo.

A sensação que fica é que Temer não tem coragem de moralizar o governo como deveria. O sistema político parece estar tão viciado, que o Brasil se arrasta pra um destino incerto. Esse início conturbado de governo mostra que Temer já errou mais do que devia. Se o afastamento de Dilma parecia ser definitivo, os erros sucessivos de Temer não tornam impossível uma reviravolta no julgamento final no Senado. A volta de Dilma Roussef seria catastrófica. Temer tem que, rapidamente, colocar o Brasil nos eixos.

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