E se o impeachment não for aprovado?

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Apesar do favoritismo do impeachment nos números levantados, é impossível definir com certeza que Dilma perderá no domingo. O governo vem tentando uma ofensiva derradeira e desesperada, na expectativa de barrar o impeachment e parece ter conseguido apoios pontuais. Se compararmos com Collor em 1992, Dilma Roussef está em uma situação bem mais confortável. Na época, Collor já chegou a votação na Câmara derrotado. Dilma ainda tem um apoio considerável. Mas afinal, o que seria do país se Dilma conseguisse a vitória no domingo?

A resposta é difícil e exige uma dose de futurologia. Ainda que a esquerda tente criar um clima de instabilidade em uma eventual vitória do impeachment, a verdade é que é a vitória de Dilma que jogaria o Brasil em uma aventura desconhecida. Nos últimos dias, o governo perdeu boa parte de sua base de sustentação e de seus aliados. Se conseguisse a vitória na Câmara, é consenso que seria uma vitória apertadíssima, e que do ponto de vista político, Dilma não sairia mais forte. A oposição não sairia descredibilizada e Dilma teria um governo a partir de segunda-feira, insustentável.

Se vencer, Dilma precisará fazer reformas profundas em seu jeito de governar, para ao menos manter ao seu lado, aqueles que votaram contra o impeachment. De maneira geral, Dilma teria ao seu lado, além da base petista, PC do B, PSOL e PDT. Ela contaria ainda com deputados de pouca expressão, muitos deles comprados pelo governo. E aí mora o primeiro grande problema: Dilma vai ter que cumprir os acordos feitos com os deputados, distribuindo cargos e ministérios para nomes de pouca expressão.

Ao que tudo indica, na segunda-feira pós votação, Dilma reformularia por completo sua equipe ministerial. Ela também fala que faria um “pacto” com todas as forças políticas do congresso. A questão é que não dá para saber o que seria esse tal “pacto”. Em um governo completamente esfacelado perante a opinião pública, fica simplesmente impossível exigir um apoio mínimo da oposição. Ou seja, Dilma continuaria isolada, tendo ao seu lado apenas os partidos de esquerda e alguns deputados isolados.

Por fim, Dilma traria Lula pra dentro do governo. Se não oficialmente, pelo menos informalmente. Lula disse em vídeo na última sexta-feira, que trabalharia ao lado de Dilma a partir de segunda-feira. Dilma colocaria Lula no governo na esperança de que o ex-presidente conseguisse dialogar com as ruas. Apesar de ter seu nome constantemente envolvido na Lava Jato, Lula ainda possui força nos movimentos sociais. Basicamente, ele teria a missão de reforçar o apoio popular da presidente, bem como se articular no Congresso Nacional para garantir um mínimo de apoio à presidente.

A verdade é que uma vitória do governo amanhã, colocaria o país em um vácuo político sem precedentes. Em um governo completamente desmoralizado, sem apoio das ruas e do Congresso, e com o país mergulhado na crise econômica, é difícil pensar em algo que Dilma poderia fazer. O mais provável é que desse uma guinada à esquerda, com medidas populistas e sem apreço aos cofres públicos. Vale lembrar ainda, que vencer no domingo não garante à Dilma a conclusão de seu mandato. Existem outros pedidos de impeachment que podem ser abertos, e um processo no TSE que irá julgar as contas da campanha de 2014, que pode derrubar ela e Michel Temer, resultando em novas eleições. No mais, se muitos se preocupam com a instabilidade do país, nada pode ser mais instável que Dilma Roussef permanecer no cargo a partir de segunda-feira. O impeachment tem que passar.

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