O fim da Coreia do Norte: como ela pode acabar e o que virá depois

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Nas últimas semanas o mundo assistiu mais uma vez a troca de farpas entre o norte e o sul da península da Coreia. A Coreia do Norte movimenta suas tropas ao norte, coloca minas terrestres na fronteira e movimenta submarinos ao longo da costa. A Coreia do Sul liga os alto-falantes com a propaganda anticomunista e executa exercícios militares juntamente com o exército norte-americano. De tempos em tempos a península ao leste do continente asiático atrai os olhares do mundo inteiro e ninguém parece apostar no que acontecerá amanhã.

Fundada após a Guerra da Coreia, o país seguiu a risca a cartilha do comunismo “perfeito”. A família Kim, que governa o país desde então, conseguiu criar um mundo paralelo e digno de filmes de ficção científica: com uma mistura de marxismo, leninismo e stalinismo, somado a ideologia Juche, surgiu então uma sociedade explorada, oprimida e isolada do mundo. Como se não bastasse, o povo vive em uma eterna ilha da fantasia, onde os líderes são reverenciados e aclamados por toda a população. Nenhum outro governo do mundo conseguiu desenvolver uma sociedade que funcionasse em tamanha sincronia.

Mas afinal, é possível uma nação se sustentar oprimindo seus cidadãos, isolada do resto do mundo e com o apoio irretocável da população? Ainda que o país represente pouca ameaça para o resto do planeta em teoria, e que a população viva em um estado de letargia, parece ser improvável que o regime norte-coreano dure para sempre. Ainda que seja um enorme exercício de futurologia, vamos analisar os caminhos que podem levar o país a sua derrocada e o que sucederia um dos estados nacionais mais surreais já criados pelo homem.

Guerra

Impossível olhar para a península coreana e não imaginar que a qualquer momento possa eclodir um conflito que tome proporções globais. Mas por que a guerra levaria inevitavelmente ao fim da Coreia do Norte? Não poderia o país sair vencedor e se tornar um regime ainda mais brutal?

Na verdade o exército norte-coreano não passa de um grande teatro para o mundo ver. A nação é miserável e completamente incapaz de desenvolver as tais armas nucleares que eles alegam ter. Em uma eventual guerra, o regime sem dúvida alguma enfim cairia. Coreia do Sul, Japão, Estados Unidos e Europa criariam uma máquina militar tamanha, que a Coreia do Norte e seus eventuais aliados como China e talvez Rússia, ficariam de mãos atadas. Apesar de parecer uma causa justa, salvar o povo norte-coreano por meio de uma guerra teria resultados catastróficos.

Seria definitivamente um massacre. A Coreia do Norte seria dizimada por completo. Seu ditador não hesitaria em utilizar os 25 milhões de habitantes em uma guerra perdida. A nação, que é tão miserável quanto os países mais pobres da África, viraria o caos completo e o mundo assistiria provavelmente uma das guerras mais sangrentas da história.

Mas e se isso realmente acontecesse, o que viria depois? Aqui entra um exercício puro de futurologia.  O território norte-coreano poderia ser anexado a Coreia do Sul, formando uma única Coreia e nesse caso, o novo país teria que se reerguer de uma guerra e inserir os ex-norte-coreanos na vida moderna do século XXI, depois de décadas de lavagem cerebral. Outra alternativa seria um governo  de transição, formado por sul-coreanos, americanos e talvez japoneses. Nesse caso poderia se formar um estado transitório que se dispusesse a trazer os norte-coreanos aos tempos modernos.

Fato é que uma guerra derrubaria o regime norte-coreano, mas a um preço exorbitante, e quem pagaria essa fortuna seriam os 25 milhões de cidadãos que vivem sob as rédeas da ditadura comunista.

Morte de Kim Jong-um

Ainda mais provável que uma guerra é a morte do líder supremo da Coreia do Norte. E ao contrário de uma guerra, onde o cenário pode ser imaginado de forma mais clara, a morte de Kim Jong-um colocaria a Coreia do Norte em um período sombrio e de incertezas.

Tablóides ingleses divulgaram em 2013 que a filha do ditador teria nascido no final de 2012. No entanto as informações são vagas e nem o próprio povo norte-coreano parece estar ciente de tal fato. É como se ela não existisse. Portanto, uma morte repentina colocaria um ponto final na dinastia Kim. Mas não faltam interessados em assumir o poder.

Apesar de possuir o posto mais alto no governo da Coreia do Norte, Kim Jong-um não governa sozinho. Existe uma enorme Junta Militar que está por trás das decisões do país, o que por vezes incomoda o ditador. Vale lembrar que dois tios de Kim Jong-um foram mortos nos últimos anos: o primeiro, que era a segunda figura mais importante do país à época, foi acusado de “traição”. O segundo tio foi morto poucos dias após estar na Rússia. Kim Jong-um não está sozinho e se sente ameaçado constantemente.

Em uma eventual morte inesperada do ditador, o mais provável é que surja uma força interna de dentro do Partido Comunista, que provavelmente formarão um governo militar. A questão é que, nesse cenário, não haveria a figura da família Kim no governo e o “culto de personalidade”, parte fundamental do regime, poderia deixar de existir. Poderíamos ter uma guerra civil?

Sem Kim Jong-um tudo pode acontecer. O governo pode abandonar o modelo radical utilizado até o momento e adotar uma postura econômica mais moderada, como ocorre na China por exemplo. Por outro lado, ele pode se tornar ainda mais repressor, para conter os eventuais questionamentos da população. No fim, a Coreia do Norte poderia mergulhar em uma sangrenta guerra civil. Mas nesse cenário estamos considerando apenas o surgimento de uma força consensual dentro do Partido Comunista. Na prática o partido poderia se rachar e a busca pelo poder poderia se tornar ainda mais complexa. Resumindo: a morte de Kim Jong-um jogaria a Coreia do Norte nas trevas, poderia acarretar uma guerra civil e até acabar em uma intervenção internacional.

É possível implantar uma democracia capitalista?

Independente do que venha a levar o fim do regime, é difícil imaginar que tipo de modelo político seria colocado em jogo. Teoricamente o ideal seria aplicar o contrário do que acontece hoje e tornar a ditadura comunista em uma democracia capitalista. Dar liberdade ao povo, o direito de votar e ser votado e abrir o mercado. Mas será que na prática o povo norte-coreano está preparado para viver nesse modelo?

Para o bem ou para o mal, o estado norte-coreano está presente na vida de seus 25 milhões de cidadãos há décadas. A lavagem cerebral feita no país leva o povo a viver em uma enorme bolha, uma realidade paralela. Para eles, aquilo é o certo, é aquilo que funciona. É pouco provável que o povo tenha o mínimo de consciência sobre os conceitos de uma democracia liberal ou de meritocracia. Procurar trabalho, comprar sua própria casa, ganhar seu próprio dinheiro podem parecer ser coisas distantes da população. De um jeito ou de outro, o estado esteve carregando todos pelas mãos durante décadas. Não à toa, aqueles que escapam do país e chegam à Coreia do Sul, ficam em uma espécie de quarentena, sendo preparados para a vida moderna, seja aprendendo a usar um forno elétrico ou a subir uma escada rolante.

Na prática, o mais provável é que o país passasse por diversos estágios até atingir a democracia capitalista. A liberdade seria dada aos poucos e o mercado também seria aberto aos poucos, nos moldes do que ocorre na China. Ou teríamos um regime nos moldes de Cuba? Difícil prever.

Conclusão

Independentemente do que venha acontecer, uma coisa é certa: a Coreia do Norte está com seus dias contados. Apesar de ser um estado inchado e que controla cada passo de seus cidadãos, a Coreia do Norte não passa de um estado fraco, isolado do mundo e pregando um mundo de fantasias que não existe. Cada vez mais a população começa ficar a par do que ocorre ao redor do mundo e começa a cair a ficha de que um país não passa de uma bolha de mentiras. Seja uma guerra, uma crise política ou uma guerra civil país vive constantemente no limite de um colapso que fatalmente ocorrerá, uma hora ou outra.

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4 comentários sobre “O fim da Coreia do Norte: como ela pode acabar e o que virá depois

  1. Se o Japão não tivesse invadido a península coreana antes da 2a Guerra Mundial e ter massacrado, oprimido e reprimido o povo coreano na epoca de sua expansão militar e territorial, a Coreia teria se dividido em duas nações: a Coreia do Norte e a Coreia do Sul.

    Sobre a morte do ditador Kim Jong-un, isso é o que muita gente quer e muito: ver o pais 100 % livre do comunismo e poder sentir de verdade o gosto da liberdade, o que pode demorar mais um tempo.

    Agora, a Coreia do Norte se tornar uma democracia capitalista, eu prefiro ver o pais se tornar uma democracia independente. Quando isso vai ocorrer, isso não sabemos, só o tempo vai nos dizer. Estamos de olho.

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  2. Coitado o cara que escreveu isso estava bebado nem nunca pisou na Coréia eu tenho amigos que já estiveram lá e essas suas palavras são totalmente lixo , baita mentira, e pro seu caso comunismo nunca existiu e sim o socialismo militar seus burros

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